Corrosão é a degradação de um metal pela reação com o ambiente em que ele está. A ferrugem uniforme que avermelha uma chapa de aço é só o mecanismo mais visível entre vários. Pite, par galvânico, fresta, tensão e desgaste combinado atacam de outro jeito, em outro lugar e com outra velocidade. Por isso cada um pede uma leitura diferente antes de qualquer tratamento.
Inspeção que procura só a mancha alaranjada deixa passar os outros cinco mecanismos, que começam como pontinho escuro, trinca fina ou sombra sob uma arruela. A leitura certa do dano decide se a peça volta com um banho de algumas horas ou se já perdeu a espessura que a sustentava.
Ferrugem uniforme: o mecanismo que todo mundo conhece
Ferrugem uniforme é a oxidação do ferro espalhada por toda a superfície exposta, em velocidade parecida em cada ponto, quando o metal fica em contato com oxigênio e umidade ao mesmo tempo. A camada avermelhada cresce de fora para dentro, e a perda de espessura é parelha e dá para medir com um paquímetro, o que faz dela a forma mais fácil de prever e de prevenir.
A AMPP, associação internacional de engenharia de corrosão, classifica a uniforme como a forma que afina o metal de modo parelho em quase toda a superfície até a falha, e é essa regularidade que a torna a base de comparação: a taxa medida num corpo de prova vale para a peça inteira. Nenhum dos mecanismos a seguir dá essa margem.
Corrosão por pite: o ataque pontual
Corrosão por pite é o ataque localizado que abre cavidades estreitas e profundas num ponto onde a película passiva do metal se rompeu, enquanto o resto da superfície segue intacto. Ela aparece em alumínio e em aço inoxidável, metais que dependem de uma camada fina de óxido para resistir ao ambiente, e avança para dentro com perda de massa quase nula na balança.
O perigo mora na proporção entre o que se vê e o que já se perdeu, porque um pite de poucos décimos de milímetro na boca pode atravessar a parede inteira de um tubo. A AMPP registra que um único pite num sistema grande basta para a falha catastrófica, com o exemplo da linha de gasolina sobre uma galeria de esgoto em Guadalajara, no México, cuja explosão matou 215 pessoas. Um trabalho apresentado no congresso da ABRACO chama a corrosão por pites de “uma das mais danosas formas de corrosão”, característica dos metais que formam película.
Cloreto é o gatilho mais comum, o que coloca na frente da fila a peça de inox em cozinha industrial, em região litorânea e em planta que lava equipamento com produto clorado. Inclusão não metálica no próprio aço e ponto de solda mal acabado também rompem a película e viram o berço do pite.
Corrosão galvânica: quando dois metais brigam
Corrosão galvânica é o ataque acelerado que ocorre quando dois metais diferentes ficam em contato elétrico dentro de um mesmo eletrólito, como água de chuva, condensação ou maresia depositada. O metal menos nobre do par vira ânodo e se dissolve mais rápido do que faria sozinho, enquanto o mais nobre atravessa o mesmo período preservado às custas dele.
Parafuso de aço rosqueado numa peça de alumínio é o par galvânico mais comum em oficina, e nele o alumínio é o lado menos nobre. A corrosão surge ao redor da cabeça do parafuso, no corpo da peça maior, que esfarela enquanto o fixador segue inteiro. Conexão de cobre em tubo de aço galvanizado repete o arranjo com o zinco no papel de ânodo.
Ânodo pequeno ligado a cátodo grande concentra toda a corrente numa superfície mínima, e é por isso que o rebite de aço em chapa de cobre se consome muito antes do arranjo inverso, o rebite de cobre em chapa de aço. A proporção de área pesa tanto quanto a diferença de nobreza entre os dois metais. Sem umidade na junta o circuito não liga, e basta a condensação de uma madrugada para fechar o par.
Corrosão em frestas e sob depósitos
Corrosão em frestas é o ataque que se instala num espaço estreito onde o líquido entra e fica parado, como sob arruela, junta, cabeça de parafuso, rosca, braçadeira ou camada de sujeira acumulada. O oxigênio dentro da fresta se esgota, a solução acidifica e concentra cloreto. O metal ali passa a se dissolver enquanto a superfície aberta ao lado continua sem marca.
A AMPP lista as quatro mudanças químicas que disparam o processo, esgotamento de inibidor, esgotamento de oxigênio, acidificação e acúmulo de íon agressivo.
Todas acontecem num espaço de poucos micrômetros, fechado demais para o líquido circular e aberto o suficiente para ele entrar. Isso explica por que a junta aparafusada que parecia seca por fora sai escurecida por baixo da arruela, e por que um depósito de barro seco sobre uma chapa funciona como fresta mesmo sem peça nenhuma por cima.
Corrosão sob tensão e desgaste combinado
Corrosão sob tensão é a trinca que nasce da ação simultânea de uma tensão de tração e de um meio corrosivo específico sobre um material suscetível, e que avança com perda de metal quase imperceptível. O módulo técnico da Abinox sobre o tema registra que a trinca se propaga na direção perpendicular à tensão aplicada, e que aumentar a tensão reduz o tempo até ela aparecer.
Encruamento na fabricação, solda e tratamento térmico deixam tensão residual na peça mesmo sem carga em operação, e o próprio produto de corrosão faz ação de cunha dentro da trinca, segundo o mesmo módulo. O caso clássico é o aço inoxidável austenítico em água quente com cloreto, em reservatório, trocador de calor e tubulação de vapor. Ali a trinca ramificada parte da região da solda e só fica visível de perto, quando já tem extensão.
Desgaste combinado, ou erosão-corrosão, é a aceleração do ataque quando um fluido ou uma peça em movimento arranca a película de óxido que se formaria naturalmente e expõe metal novo a cada ciclo. Rotor de bomba, cotovelo de tubulação com fluido abrasivo e válvula com fluxo turbulento sofrem desse par. A abrasão tira a camada, a corrosão refaz uma mais frágil por cima, e a peça perde material duas vezes a cada volta.
Como identificar cada mecanismo na prática
Aparência do dano, lugar onde ele aparece e material atacado apontam o mecanismo provável antes de qualquer ensaio de laboratório. A tabela reúne os sinais que uma inspeção visual consegue separar. Ela serve de triagem para decidir se a peça vai para tratamento, para reforço de barreira ou para substituição.
| Aparência | Onde ocorre | Mecanismo provável
|
|---|---|---|
| Camada avermelhada e parelha em toda a face | Aço carbono exposto a chuva e umidade | Ferrugem uniforme |
| Pontinhos escuros com cavidade funda, superfície ao redor íntegra | Inox e alumínio em contato com cloreto | Corrosão por pite |
| Ataque concentrado na peça maior, ao redor de um fixador de outro metal | Junta de metais diferentes com umidade | Corrosão galvânica |
| Mancha escura ou cavidade sob arruela, junta, rosca ou depósito | Qualquer ponto onde o líquido fica parado | Corrosão em frestas |
| Trinca fina e ramificada, sem perda visível de metal | Inox em meio quente com cloreto, peça soldada ou tensionada | Corrosão sob tensão |
| Sulco polido ou canal na direção do fluxo ou do movimento | Rotor, curva de tubulação, válvula com fluxo turbulento | Desgaste combinado |
Peça já atacada: o tratamento por imersão
Peça de porte pequeno ou médio que já tem ferrugem instalada responde melhor a um tratamento por imersão do que a lixa, escova de aço ou jato. O abrasivo tira a camada, mas leva junto metal são e deixa risco onde a umidade se aloja e a oxidação recomeça. WD-40® Specialist Lixa Líquida dissolve a ferrugem por imersão, sem raspar, descascar nem esfregar a peça, e a fórmula não contém composto orgânico volátil.
O tempo de banho varia conforme o grau de ferrugem, de 30 minutos a 24 horas, segundo a página do produto, e o mesmo líquido pode ser reutilizado até a coloração ficar bem escura, quando perde as propriedades. A imersão alcança rosca, furo cego e relevo onde a lixa não entra. É isso que a torna a saída para ferramenta antiga, peça de trator, engate de reboque e componente de ferro fundido.
A sequência completa, da imersão ao enxágue, está no post que explica o que é a lixa líquida e como usá-la, e o passo seguinte, quando a peça vai receber tinta, em como preparar peças metálicas para pintura artesanal. Peça que saiu do banho está com o metal exposto. Ela precisa de barreira no mesmo dia.
Prevenção: barreira contra a umidade
Todos os seis mecanismos dependem de um eletrólito na superfície, e é nessa interface que a prevenção feita na manutenção age, com dois produtos de papéis diferentes no calendário. WD-40® Specialist Gel Anticorrosivo cria a barreira de longa duração em peça parada, estocada ou exposta, com prevenção da oxidação por até um ano conforme a página do produto.
Na rotina diária, WD-40® Produto Multiusos expele a umidade de junta, rosca e fresta que acabaram de sair da chuva ou da lavagem. Corrosão sob tensão e erosão-corrosão pedem também decisão de projeto, como alívio de tensão, troca de material ou mudança de fluxo.
Como o ciclo de inspeção, preparo, barreira e reaplicação se organiza ao longo do ano está em proteção contra corrosão: um investimento na longevidade dos ativos industriais.
Perguntas frequentes sobre tipos de corrosão
Quais são os tipos de corrosão?
Os tipos mais comuns em peça metálica são a ferrugem uniforme, que avança parelha em toda a superfície, a corrosão por pite, que abre cavidades pontuais e profundas, a galvânica, entre dois metais diferentes em contato com umidade, a corrosão em frestas, sob arruela e depósito, a corrosão sob tensão, que trinca o metal sem perda visível de massa, e o desgaste combinado, ou erosão-corrosão, em peça com fluido ou movimento.
O que é corrosão por pite?
Corrosão por pite é o ataque localizado que perfura o metal em pontos onde a camada passiva de óxido se rompeu, principalmente em aço inoxidável e alumínio expostos a cloreto. A cavidade é estreita e funda, a superfície ao redor continua íntegra, e por isso a perda de massa parece pequena enquanto a parede da peça já está atravessada.
O que causa corrosão galvânica?
Corrosão galvânica é causada pelo contato elétrico entre dois metais de nobreza diferente dentro de um mesmo eletrólito, como água, condensação ou maresia. O metal menos nobre vira ânodo e se dissolve mais rápido, e o ataque piora quando a área desse metal é pequena em relação à do mais nobre, como em peça de alumínio presa por parafuso de aço.
Como tratar uma peça já enferrujada?
Peça pequena ou média com ferrugem instalada é tratada por imersão num produto que dissolve o óxido sem lixar, raspar nem esfregar, o que preserva o metal são e alcança rosca e relevo. Depois do banho e do enxágue, a peça fica com o metal exposto e precisa receber barreira anticorrosiva no mesmo dia, antes de voltar ao uso ou à estocagem.
O que é lixa líquida e como usar?
Lixa líquida é um produto de imersão que dissolve a ferrugem de peças metálicas sem esforço mecânico e sem compostos orgânicos voláteis. A peça fica imersa de 30 minutos a 24 horas, conforme o grau de ferrugem, e depois é enxaguada e seca. O mesmo banho pode ser reutilizado até a coloração ficar bem escura, quando o líquido perde as propriedades.
Leia também:
- Como preparar peças metálicas para pintura artesanal?
- Proteção contra corrosão: um investimento na longevidade dos ativos industriais
- 7 sinais de desgaste mecânico que não devem ser ignorados
Da triagem ao banho
Quando a triagem aponta ferrugem uniforme em aço ou ferro fundido, a peça volta ao uso pela imersão, com a barreira aplicada assim que ela sai do banho. Pite, trinca e ataque sob arruela pedem medir a espessura que restou antes de decidir entre reparo e troca.
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Para a correta manutenção e reparo de equipamentos, leia atentamente o rótulo do produto e siga sempre as orientações técnicas do fabricante do equipamento.